Concreto armado
Nada floresce no cinza concreto,
dureza perene construída na alma.
Aprisiona o corpo na solidez cotidiana,
ainda que o vento abale, permanece incólume,
destacado sozinho no meio das cores.
De nada vale a concretude frente a abstração das cores,
que avassalam os dias e permeiam os risos.
O concreto resiste, não renova.
Blinda, invisibiliza, cerceia a ternura,
que tenta achar brechas.
Firme, habita e faz inóspito o espaço.
Existência frugal impelida na rigidez inventada,
que faz proteção impermeável ao acontecimento.
Sem medianeira, aparta o arrebol, aguenta o tranco,
repele a desordem do espontâneo acaso caótico.
Segue firme, enquanto a vida diversa perpassa na minúcia.
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