amores sem tempo

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Amar, como se tivéssemos tempo e disposição para outros habitarem nossa vida.
Mirar a imensidão de tarefas e perder-se ensimesmados na poeira do sentir.
Idealizações fugazes, que nos fazem sorrir e escapar das árduas e óbvias decisões do cotidiano.
Expectativa do inexistente, abrir a janela, ver longe no horizonte o sol, que se esvai, colorindo o céu.
Enquanto a vida passa, amar torna-se encontrar brechas em escolhas adultas demais para caber afeto.

No andar do adulto, um breu o acompanha a cada passada – intensificando o pesar
Para onde foram as expectativas?
Das doces promessas do amor para sempre, às dores fundas e inseguranças imprecisas de supostas falhas
O amor, virando um tabu temeroso de se reafirmar. Como se obrigatório fosse prometer o eterno.
O que se passa no cotidiano de risadas suaves e abraços que acalmam o barulho?

que seja nossa a vida de quem repele o eterno em nome do voraz desejo.
Enquanto a vida passa, amar torna-se encontrar brechas, e ali, naquele amor, residir o tempo possível.
Sem pressa para o inevitável rompimento que o futuro impõe, agora, sorri – e vive.
Refuta a urgência do que virá, olha a lua, aproveita a brisa do fim da tarde e o arrebol que surge ao fundo.
Firme na expectativa reiterada: só mais um dia, por hoje. Feliz do colo presente, invadida pelo deleite do corpo

Que sejam nossas as manhãs preguiçosas, em despertares lentos e silenciosos, entre um abraço e cafés
Entre o tempo guardado para notícias estranhas e calmos beijos, com gatos roubando a atenção
Nas fissuras de dias planejados e inexistentes, há possibilidades de sorrisos e reclamações com cafunés
Na preocupação com o amanhã, o hoje pode ser compartilhado em breves silêncios ofegantes
Enquanto a vida passa, adulto torna-se (e se esvai), em vidas de afeto que escolhem: amar.


2 comentários

Mariane Marton · 30 de setembro de 2025 às 19:55

Nossa, lindo demais esse texto!

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