tormentas

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Dizem que sua força se mostravam de formas estranhas.

Chorava por bobagens banais, fazia um escarcéu em brandas nuvens. Mas quando a tempestade real se aproximava, ela era tomada por uma estranha calmaria, de razão e plenitude. Ponderava cada segundo vendo a tormenta se aproximando. Sorria e tranquilizava quem ao lado estava, afirmando que todos, ao fim e ao cabo, permaneceriam vivos e bem (lanhados, encharcados, esgotados: mas bem).

Aquele dia ela mal dormira. Os pensamentos rondaram o tempo destinado a morpheus, que respeitou o momento e a deixou desperta, sem sonhos, nem pesadelos. Mas também sem desesperança ou receio.

Ao amanhecer, caminhava pela casa, ainda pensativa, decidindo-se por um longo banho ou o primeiro café do dia.

Decidiu-se pela água, correndo em seu corpo, lavando os alívios e as tristezas, as mágoas e as alegrias. Lavando tudo que passara na última semana, meses (anos, quiçá).

Eram tempos de amor, andava falando por aí. Não de paz. Parafraseava tal como na música, “que não seja meu o mundo em que o amor morreu”.

Ao sair do banho, bom afirmar, seguia sorrindo, olhando para o exato lugar em que sabia que os primeiros sinais da tormenta, as primeiras gotas de chuva e vento característicos, seriam sentidos…

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