série: DC é meu trabalho

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volta e meia eu tenho aquela boa e velha companhia da síndrome do impostor. Sabe assim? “Porra, não publico tanto quanto meus colegas, porra to fazendo pouco, trabalhando muito mas não rende nada…”
Enfim, um sentimento meio de vazio estranho.
Ontem, organizando um relatório de atividades desde o dia 1 da minha clausura pela pandemia (14 de março), eu fiz um levantamento do que produzi, para o relatório mesmo…

– 55 textos para o blogs da Unicamp; 48 para o covid. Incluindo editoriais e textos coletivos.
– 9 lives pela FT e Sou eu Cientista (i.e. organizados por mim e equipe blogs)
– 20 créditos (300h) de aulas (i.e. 10 disciplinas no ano, sendo 3 na pós graduação);
– cerca de 500 alunos
– 4 artigos escritos, 3 aprovados, um retornou;
– 3 projetos aprovados (um covid, um pesquisa em extensão, outro comunicação de centro de pesquisa)
– 2 grupos de pesquisa formados – CEDiCiências e EMRC
– 5 projetos de DC em temas diferentes (portal, covid, pemcie, emrc, todos pelas vacinas)
– Palestras, entrevistas e lives foram ao menos 2 por mês;
– Parceria com o Consulado Francês de SP pelo Blogs;
– Início da organização de um livro, com a equipe;
– coordenação de um dos maiores portais de DC escrita no mundo;
– Eu revisei, pelo menos, 170 textos para o especial covid.
– uns 50 boletins covid em canais como o whatsapp (que agora são eventuais);
– mais comunicações eventuais aqui, no twitter e no instagram.
– 10 orientandos de pós.
– uma música (que eu tenho orgulho imenso de ter feito)

E a gente pensa que faz pouco pq a projeção é diferente sabe? A divulgação científica, como escutamos comumente, é mais fácil, tem publicação endógena, não precisa estudar tanto “pois a pesquisa mesmo foi feito por outra pessoa”, é voluntária e tem gente que adora trabalho voluntário.
A divulgação científica não é vista como profissão. Não é entendida como parte de nossa carreira e por mais que 2020 a gente tenha ganhado um certo destaque, ainda assim, dificilmente contará na carreira de quem lutou – e muito – para tornar acessível o conhecimento. Por democratizar o acesso à informação.
Eu nem to me lastimando (faria tudo de novo sem nem questionar). Estou fazendo um apontamento REAL de como é visto o nosso trabalho diariamente.
E tudo feito coletivamente – bom afirmar – trabalho com PESSOAS que diariamente estão em contato para divulgar MAIS E MELHOR todos os dias.
Respeite a ciência e respeite aqueles que LUTAM por ela dos laboratórios para fora, tornando o conhecimento de domínio público, batalhando para que sujeitos “extrapares” tenham o que lhes é de direito: acesso ao saber.
Não para serem doutores – pois isso devia ser ESCOLHA. Mas por todos terem o direito de se encantar com o conhecimento e, mais do que isto, poder perceber seus problemas e vivências cotidianas a partir do conhecimento. Resolvendo questões, pensando com e a partir da ciência.
E é disso que se trata: TODOS OS DIAS.
Tomei café todos os dias. Trabalhei todos os dias.

No âmbito pessoal?
Zero baladas, visitei meu irmão/cunhada/sobrinhas em quantidade de vezes que cabem em uma mão, uma ida à praia isolada por 3 dias (e fui apedrejada por uns aí). Vi amigas 1 vez por mês, controlada e organizadamente.

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