[pensamentos em um diário]
Em um dia como o de hoje, tão ácido quanto intenso, em que recebemos tanta porrada quanto os segundos que se passam, acho que é preciso lembrar: viver, meus amigos, é um ato político. Viver, amar, gozar, escrever, ler, sorrir, gargalhar, beber, comer, parar, pensar, dialogar, produzir ciência, produzir arte, conhecimento, intensidade, furor, ócio, amizade: SINCERIDADE!
Que sejamos, a cada dia um pouco mais, sinceros – e que façamos disso nossa melhor arma.
E que seja com leveza – mesmo com a voracidade de tristeza que nos atropela – que sejamos suaves e, nunca, superficiais. Que a porrada seja dada com uma precisão não aleatória.
Que sejamos aquilo que acreditamos e queremos ser: e que sempre tenhamos em pauta que se a estética salvará o mundo (como nos disse Dostoievisky), é pela luta que ela nos impõe diariamente.
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“O que você acredita que é um artista? Um imbecil que só tem olhos se for pintor, ouvidos se for músico, ou uma lira em todos os andares do coração se for poeta? Muito pelo contrário, ele é ao mesmo tempo um ser estético, constantemente em alerta diante dos dilacerantes, ardentes ou doces acontecimentos do mundo, refletindo-os na forma como realiza sua obra. Como seria possível desinteressar-se dos outros homens? Graças a qual indolência, dissociar-se de uma vida que eles lhe trazem de modo tão abundante? Não, a pintura não é feita para decorar apartamentos. É um instrumento de guerra ofensivo e defensivo contra o inimigo”. (PABLO PICASSO).