Negociações (demoras)

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foi-se a etapa dos jogos

a vida, brevidade desordenada

o tempo, desperdiçado em miudezas…

e nós? Negociando? O quê?

Já trepamos,

na cozinha, na sala, no quarto

nesse espaço de beleza e estética

(nossas tardes particulares, eu diria)

Já ficamos tranquilos,

como se os segundos

estivessem ao nosso serviço

e estancassem, quando quiséssemos…

Já gargalhamos de bobagens alheias,

sarcasmos permitidos,

piadas vulgares e mundanas,

implicâncias incontidas…

Já poetizamos em conjunto,

buscando consensos em palavras,

intensidade nas entrelinhas,

significado na pele e na saliva…

Já brigamos!

Traçando longos e tristes debates,

sobre o que somos e ao que pertencemos,

um mundo de diferenças doloridas,

distâncias e quereres…

E estamos bem (estamos né?),

dentre acordos sem regras,

levezas e superfícies, necessidades egoístas

solicitudes vazias, em conjunto.

Adiamos encontros

motivos banais (convenhamos),

receios bobos, incômodos reais

incoerências e falta de interesse…

Negociamos o quê?

na sinceridade demasiada,

entremeada de voraz fugacidade,

desejo e paz, silêncio e vazio,

estética marcada em fotografia registrada, narrada…

Negociamos. Para quê?

Se isto não é um jogo,

se o ego está para o lado de fora do quadrante,

se em bons e maus momentos,

a única norma seguida é a honesta vontade – seja esta qual for…

Vem logo, deixe de teimosia,

vem aqui, que nossa história vira poesia

cede tua sede (enquanto eu arco com minha leveza)

E, se não te importares muito, a trepada

(e todo o restante dos ciclos) podem se incluir.

Várias vezes.