não vai funcionar
Há dias em que eu queria, apenas, não amar
não mergulhar na estapafúrdia ideia
que um dia tive, ao te olhar, sorrindo
não vai funcionar
tanto faz, tanto fez
não importa
ideia. estapafúrdia. obviamente as ideias, essas mirabolantes mesmo,
(que sorrimos quando nos vêm à mente… sabes? Claro que sabes…)
dizem exatamente o contrário de acontecimentos.
há dias que eu queria, apenas, desconhecer
(des)saber o sabor, a minúcia, o detalhe
não ver ternura, nem ouvir etílicas palavras enunciadas
há dias [todos os dias] que ignorar o ímpeto da palavra
o conforto do abraço, a avalanche da vontade
mataria a poesia, inquietude do meu dizer
há dias em que eu queria, morar na ideia primeira
ser ponte de outras ocorrências, idealização sem fundamento
companhia fugaz e sem noção ou sentido
mas há, também, os dias, de uma fuga inexata
em que tudo o que há, são os segundos silenciosos
de um tempo, sedento de leveza, em que nada resta
só.