não tenho medo
não tenho medo de teus monstros,
teus obscuros temores internos,
que assombram cotidianos pensamentos
não nego existência, não finjo nada perceber
de que serve o silêncio cúmplice envolto no abraço,
se insistimos em ignorar parte do que somos?
Não tenho medo de teus monstros
já enfrentamos, juntos, humanos, lembra?
terríveis seres que fazem do mundo, esgoto aberto
nossos monstros, esses inventados por nós,
alimentados diariamente em soturnas caminhadas
não apresentam motivo para medo, nem para a fuga.
Somos pacote, inteiro teor, interna confusão
de nada vale o dito amor, sem “pandórica” intensidade
suave e sedenta, leve e profunda: nossos monstros em nó.