Não seja tão responsável
- não seja tão responsável por tudo e todos, Ana!
- Quem sabe está na hora de cuidar de ti como cuidas dos outros?
Essas palavras, certamente, não foram ouvidas pela primeira vez em sua vida. Nem será a última vez também.
A coisa é que a menina sempre, de alguma forma, preocupara-se demais com tudo e todos ao seu redor. Uma tentativa de manter o controle das situações – mesmo sabendo que viria a falhar e geraria frustrações.
A obviedade das impossibilidades não deixava de ser um incômodo constante pra ela, que, virava e mexia, buscava soluções, estratégias (ela adorava essa palavra) para tudo se encaixar em caixinhas belamente dispostas em sua vida.
No entanto, todos sabem, ela mesma sabotava a organização. Aquele ímpeto de tudo resolvido gerava uma ansiedade incrível na garota, que a imobilizava para viver com mais simplicidade.
E na aparente leveza que ela oferecia aos outros, residia um imenso turbilhão de instantes caóticos internamente instaurados.
Talvez o não ser tão responsável seja esse lugar de deixar acontecer o caos, observando os momentos de intervenção, apaziguando a mente quando a tempestade chega – sem pretensão de salvar a multidão de detalhes que são varridos pelo vento forte.
A vida, menina, é feita de acontecimentos. E se isso te é tão claro dentro dos discursos em teu cotidiano, como almejar a distópica idealização de controle?