Incertezas
A incerteza, força avassaladora que atropela a vida, as vezes se esconde no detalhe cotidiano. Se silencia enquanto observa os segundos passarem inconstantes em dias infames
Irrompe quando menos se espera, atormenta ideias, reside na brecha do bem-estar. Às vezes produtiva, nos faz questionar o que está naturalizado, outras vezes, contudo, destrutiva. Inquieta criatura que se imiscui com momentos atribulados entre o tédio da rotina e a saudade da calmaria.
E, não se enganem: é o contrário da calmaria que a incerteza busca. A inquietação do pensamento, que toma conta de cada célula do corpo e torna ideia fugaz em irrequieto movimento.
Atravessa e impossibilita o comedido e disciplinado comportamento. Incômoda sensação revisitada, tenaz passageira dos pensamentos.
Vem e ocupa o lugar mais confortável da vida e questiona com sucesso…
Se há dias em que as incertezas ventilam as ideias e trazem novas inspirações, há também dias que se tornam ingovernáveis em diálogos já sabidamente inconvenientes.
O mundo, enquanto segue seu rumo, corresponde ao caos das incertezas, sendo a faísca necessária para o desconforto que virá.
Tão voraz, quanto inconstante, as respostas às incertezas não trazem sossego, mas transformam-se em combustível para mais e mais questões.
Se o momento parece sereno, talvez ele esteja só sereno, de fato. Sem caos, sem desordem. Só silêncio.
Respira fundo. Não há de melhorar, enquanto não for sobre existência do coletivo. É sempre sobre combater o egoísmo dos dias.
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