Do nada

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Chegou de mansinho, em um silêncio peculiar
se instalando entre dias que se passavam
à toa, risada farta, afago fácil, sorriso simples

Um dia veio, como que sem anúncio,
tampouco havia qualquer pretensão
Entrou, ocupou o lugar mais macio da casa

Parecia confortável, falas dispersas
confissões banais de quem se sabe vadio
como se fosse lugar comum da vida leve

Entre o riso, o sono e alguns cafunés
uma taça de vinho e um bocado de fofocas
a pele, do nada, habitat de encontro

Com tato, silêncio, olhar
respira, observa, duvida. Duvida?
pele, remexe, saliva. Certeza

Parecia confortável, com pouco anúncio
em trôpegos sussurros, murmúrio
longas noites, preguiçosas manhãs

Veio. Entrou. Sorriu. Ficou.
Ocupou o lugar mais quente da sala
Como se a pele fosse sua.