Calendários maltrapilhos e esconderijos sem paz

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espaço de silêncio, interrompidos por esparsos não dizeres
do que foi vivência, esvai aos poucos parca êxtase, ruma
sem toque, nem som, mira ao longe e nada vê. Respira.

as palavras não mais nos envolvem como brisa suave
o tempo, a quem tudo parece consumir, estraçalha perspectivas
nos engole em trocas injustas, vida por migalhas financeiras

todavia, nunca tarda em avisar, planejar não é obrigação aprisionante
a arte do carinho, tracejado em calendários maltrapilhos, reside nas brechas
Cuidado! É no caminho que o fortuito nos atravessa,

mas não há, no mundo, repetições fortuitas suficientes
os acasos tropeçam em si mesmos, se enlaçam e se vão
no resto dos dias, é pela primazia do desejo que o sorriso vem

Não está no esconderijo, a nossa paz.

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