Toxidez

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Toxidez clandestina
torpor, eleva, lesa, sublima
adicto momento
entre o carinho e a vontade
suave volúpia, sorrateira
espreita em descuidados segundos
em que sorrimos. Desarma
desabafa, desaba, desafoga
em nós.

Ama, depende, desconecta.
Mundo a parte, caótico estar
entre muros, protegidos
de toda estupidez contemporânea, sumimos.
Instantes, nada atinge, tudo se faz: paz.

Irrompe realidade, voraz
invade, desacomoda
estampa em nosso furor:
ciúmes, desavença, desconforto.
O mundo não se restringe à leveza
nem ao espaço de nosso abraço.

O que é esse lugar isolado?
O que é esse sentir devassado?
O que faço com o amigo, amante, amargo?
O que fazemos dentro de nosso mundo, por nós formado?

Tóxico. disseste.
Clandestina, nos narro.
Mundo estampado
Amor escarrado.
Confusão
Como se lembrar fosse sentimento eterno
Como se sentir fosse fugacidade desmemoriada

Aquele que não é poeta não assume o escrito
escancara descaso da intensidade vivida
Essa que descreve se entrega
sem entrelinha desunda de si:
escancara seu óbvio.

Impasses de sentir clandestino,
de lembranças esporádicas
reais e raras, suaves em amargo desatino

A leveza que sustenta é a sede que avassala.
Sinônimo das faces, veneno sem rotina, entorpece
a.l.i.v.i.a.

Se a intensidade atrapalha
é pela existência encerrada em nós:
vadia vontade, dolorida em nossa pele, marcada: ama.