Saudades
Essa seria a semana em que os grupos iniciariam os seminários nas disciplinas.
Nos primeiros semestres, eu dou aula no período noturno segundas e quartas. Nas quartas feiras existe um desafio pelos feriados que existem nas quintas e, em especial, Corpus Christi.
Na biologia existe um evento – o interbio – que movimenta historicamente cursos deste estado e outros para o feriadão inteiro, de jogos universitários (e tudo o que envolve muitos universitários juntos, óbvio).
Quando eu estava na graduação, no Sul, não participávamos do Interbio (só fiquei sabendo disso quando cheguei na unicamp). De qualquer modo, rapidamente fui obrigada a entender que as aulas de quarta à noite, pre-Corpus Christi seriam com cabelos pintados de rosa, cantorias pelos corredores na concentração para a partida.
Eu, que sempre fui adepta das reuniões universitárias (nos jogos eu observava, pq minha intimidade com os campos é de como errar tudo com destreza…), ficava sempre olhando tudo isso com bastante carinho.
A vida universitária anda carente dos sorrisos contagiantes dos corredores, das cores dos cabelos, das falas entre colegas, dos cafés em intervalos corridos.
Eu acho interessante destacar isso, pois a vida acadêmica, em muitos sentidos, segue produtiva: temos lido, publicado, feito experimentos (ou analisado dados que andavam meio parados). Mas os ruídos dos corredores (que eu escutava da minha sala / bunker) estão silenciados, recolhidos em uma mesmice que parece não ter fim. Que parece proposital e que angustia exatamente por sabermos que os rumos estão nos levando a cenários mais tristes e pesarosos.
A saudade de todos estes ruídos também se faz por saber que a produção acadêmica se faz em encontros assim, em trocas de ideias que parecem banais. A ciência também se faz em intervalos, o aprendizado se dá entre um gole de café e um diálogo aleatório.
A ávida boniteza de dar aulas e ver a troca que existe nos seminários, (as vezes o tédio dos alunos também), a correria para pegar a concentração do Interbio, o furor de ter imagens que valham a pena nos projetos fotográficos na disciplina, os olhos curiosos dos grupos enquanto os sentidos se delineiam…
A ciência, com sua coletividade e troca, com seus espaços de formação dispersos entre os muros formais, que nos impõe uma agenda de renovação constante por uma juventude que não se quer alheia, vale a pena.
eu estou com saudades da sala de aula e dessa gurizada com cara de “pelamor professora: chega”
