o caos somos nós

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O caos, meu amigo, somos nós. Intangíveis a nós mesmos, angustiamo-nos por sermos etéreos, disformes, não nos dando conta que é aí que reside nossa beleza. Notas não aleatórias:

De várias tristezas que eu tenho e se agravaram nestes últimos anos, uma delas – talvez a principal – é ter percebido que parte do grupo de “adultos responsáveis” que me ensinou sobre ética, respeito, a importância da leitura – inclusive bradando no peito sobre como ler nos dá argumento -, sobre a centralidade da universidade pública para pesquisas e produção de conhecimento, votou num time que acha que livros têm muita coisa escrita, acredita em kit gay, e tá desmantelando a saúde e educação públicas a golpes de machado cego.

Parte desse grupo também me ensinou – e aí de maneira mais cruel, eu diria – o que é ser branca de classe média e defender nosso umbigo ignorando os privilégios e acreditando no mérito. Soterravam, portanto, tudo o que se falava harmonicamente em churrascos dominicais ou almoços de sábados como grandes e felizes congregações de pilares fundamentais. Em longos e paradoxais momentos, era difícil eu compreender como todos (ou quase todos) conviviam sendo meritocráticos e defendendo a importância do conhecimento.

Hoje, ao ver seus posicionamentos (embora de longe, pois existem limites importantes a serem estabelecidos na nossa trajetória…) eu entendo que não era de conhecimento que se tratava e/ou defendia.

E nesse sentido eu só me sinto aliviada por ter aprendido “errado” esse tempo todo.

(Era isso, só um desabafo sobre tudo o que temos lido/ visto/vivido).

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