sábados

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O interfone toca, inúmeras vezes. Para.
Recomeça mais uma vez. Toca, toca, toca.
Ela acorda, não são dez horas ainda. Não há cheiro de fumaça, evidência de apocalipse zumbi, nem estamos na rota de algum meteoro. Ela vira para o lado, dorme novamente.
20 minutos se passam, o insistente toque retorna.
“Quem, em sã consciência, frente à falta de evidências sérias e emergenciais, deixa interromper seu sábado e a sagrada preguiça matinal no frio para atender interfone?” Pensa a garota – quase certa de que expressou alto as ideias.
A gata a mira, se estica em um espreguiçar delicioso e barulhento, movimenta-se graciosamente pela cama e se deita por cima dos quadris da menina, ronronando.
É. Não é hora ainda, concordam em silenciosa cumplicidade.

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