Não existe amor em SP
“Não existe amor em SP
Os bares estão cheios de almas tão vazias
A ganância vibra, a vaidade excita
Devolva minha vida e morra
Afogada em seu próprio mar de fel
Aqui ninguém vai pro céu”
(Criolo)
Sempre que eu escuto este verso, desde que a pandemia começou e tenho visto amigos, conhecidos e parentes frequentando espaços públicos aglomerados, as palavras me atravessam com uma voracidade incrível… Consome, entristece, varre cada pedacinho em ares despedaçadamente.
A ideia de que fomos vencidos pela individualidade, algoz e vaidosa reside no pensamento, enquanto tento afastar de tudo o que possibilita que eu continue acreditando o suficiente para trabalhar com a comunicação científica e no combate à COVID-19 em um país que se abraçou ao vírus com ganas e fervor.
Ver a vacinação avançando e, mesmo assim, alcançarmos o número de quase 100 mil casos novos e estarmos beirando os 500 mil casos de mortes confirmadas – vidas partidas, famílias despedaçadas – enquanto bares lotam e pessoas riem por pura falta de pudor, dilacera a condição de, hoje, sorrir.
Os bares estão cheios, de almas tão vazias, a ganância vibra, a vaidade excita.
Aqui, ninguém vai pro céu. Entretanto, infelizmente 500 mil estão abaixo da terra