[2017]

Published by Notas Não Aleatórias on

Este ano foi longo, difícil e dolorido. Relembrei o que é se apaixonar – e dar com a cara no chão (e olha que eu costumo fazer estas duas coisas uma vez por década, quando muito…). Também caí na realidade e passei do momento da euforia da mudança. Conheci, me aproximei e reaproximei de mulheres incríveis, que me inundaram de amor, força e amizade!
E é falando de mulheres que vou tratar de uma específica – eu mesma. É em momentos difíceis que amar a si e seu corpo torna-se desafio diário. Que nos fixamos mais no “não faça, não ame, não ouse” do que em imperativos positivos que nos são alicerces para mudanças e vivências de dias melhores.
Este ano também foi o de relembrar o quanto não importa o que façamos e batalhemos e conquistemos na nossa vida, como mulher, é pelo corpo que seremos julgadas e atacadas.
Fui chamada de vadia, me oferecendo como ração para cachorros esfomeados, de puta, de alguém sem conteúdo por mostrar meu corpo sem pudor e fiquei sabendo, ao final de tudo, que fui acusada de “passada no concurso da universidade por ter *dado* para alguém da banca”, pois eu não tenho o perfil da Universidade em que trabalho por expor meu corpo e meus goles de cerveja nas redes sociais (meus perfis pessoais, diga-se de passagem). Também fiquei sabendo que a cada foto que eu, mulher solteira, posto com algum homem é “pq to pegando” (algumas vezes renderam risadas, algumas brigas grandes…). Aparentemente mulher solteira não tem amigos homens. Aliás: mulher quando posta foto com homem é pq tá pegando E TODO MUNDO TEM A VER COM ISSO E METE O BEDELHO. Pq afinal: é do corpo dela que se trata, e todo mundo pode ter opinião sobre o corpo da mulher. Sempre.
Por fim, fiz 40 anos. Mulher, solteira, acima do peso, acima da idade, com o pezinho no abismo da depressão mas que é professora universitária, tem uma rede de amigas fantásticas (várias delas também acusadas de coisas horríveis, que eu sei…), amigos maravilhosos, família fora de qualquer condições de fala.

Bom, cheguei ao último dia para dizer que: seguirei vadia, seguirei sem o perfil que vocês esperam de mim, seguirei batalhando para sair de perto do abismo, seguirei postando foto pelada, com café, com cerveja, com gatas, com gatos, com homens, com mulheres – as vezes estarei pegando gente, outras não.
Seguirei apaixonada (ou não), sofrendo (ou não), bebendo (ou não), amando (ou não), escrevendo MUITO (poesia, artigos, divulgação científica…), seguirei fotografando (MUITO: eu mesma, bares, pessoas). Seguirei sendo eu, espero que mais feliz um pouco.
E seguirei, acima de tudo, batalhando por um mundo em que não sejamos atacadas pelo corpo, pele, deleite, desejos e vidas vividas. Nem atacadas, nem julgadas pelo uso do que é nosso de forma mais íntima: NOSSO CORPO.

Beijos, feliz 2018.