Abstrato
pedra na selva
urbano espaço
[ocupado]
aridez cotidiana
assepsia com pó e ruído
solidez solitária
de ferro e concreto
de que vale a urbanidade?
lotação de gente em cada milímetro,
já não há tempo, nem espaço,
de que vale a multidão?
Imensidão de olhos cansados
sorrisos resguardados
passos apertados
em segundos atrasados
isola o instante teu: o todo
faz do acontecimento, turbilhão
irrompe a inércia estafada
moto-contínuo do descaso
encontra teu lugar
insensata quietude
insano bem-estar
sem freio para a felicidade
ancora no concreto,
abstrato amar