A vida adulta e seu caos particular
As vezes a impressão que dá é que vivemos de boletos, gatos e traumas aleatórios acumulados, que viram dramas burocráticos em conversas não banais.
A vida adulta é mais sobre resolver a vida adulta em si, do que executar nossos planejamentos. Um eterno pular de uma escolha duvidosa com suas consequências para outra escolha duvidosa com suas consequências e escutar lá dentro de ti a frase da tua mãe “quando tu fores adulta, tu fazes do jeito que quiseres”.
Não queria pagar boleto. Nem ter dramas burocráticos.
Talvez, alguns tangos argentinos ou sambas com pitadas de tristezas em notas dançáveis de alegrias. A mais pura contradição do nosso dia a dia: caos, palavras bobas, risadas, pele, saliva, boletos e pelos de gatos distribuídos em 24 horas.
É. Mas a vida adulta é isso e nem sempre dá pra dormir. Entre o caos e o sono acumulados, calmaria e cafuné. Poesias maltrapilhas e casualidade repetida (vezes o suficiente para questionar se é casualidade ainda). Café da manhã, preguiça, gatos, beijos, afago fácil, amizade fluída.
A vida adulta e as decisões mal prometidas – horríveis, enfadonhas e cheias de meandros com pequenas decisõesinhas menores. É, a vida adulta é isso e nem sempre dá pra dormir.
Para amar dá. Entre o caos, o sono e os boletos. Ou, talvez, por causa do caos, do sono e às vezes do samba, do vinho, dos cafés, dos boletos e do ronronado de gatos – principalmente por causa do ronronado de gatos…
E os traumas? Esses a gente vai resolvendo entre um drama e uma conversa. Um café e um cochilo. Um afago e um abraço. Um samba e um tango. Às vezes um chorinho escondido também.
A vida adulta, anseio para chegar e o resto da vida para lidar (até o fim).