Sede e leveza
Somos instantes isolados
altos e baixos de humor inconstante
Sentir e lembrar
viver e passear
esquecer, rir, pirar
Volátil veneno
intoxica, entorpece,
encanta, extasia
esgota e atordoa.
Depois cansa e faz afastar
um dia, outro dia, quem diria, nega poesia
clama razão, pontual,
sem ilusão,
E em amor (ou pleno tesão)
irrita, vocifera descaso
eterno, chora e para
pensa, rebrota silêncio
Eu, intensa sem calmaria
Tu, quietude em turbulência
dois, em nós,
teia emaranhada
aporte difuso
alicerce, confuso.
Faz encanto, faz difícil
face ao fácil:
faz da amizade
pleno ponto de paz e loucura
Amargo acordo
que leve, aprofunda,
não sabendo, ainda,
o tamanho da ressaca,
ou a vontade da convivência.
