[2018]
Se o que não mata, fortalece, o ano de 2018 entrará para minha breve história como aquele que me deixou imune, pela força.
Imune à dor de perder o amor, intenso sabor de si mesma, sorrindo frente ao banal discorrer de diálogos que a todos pareceriam non sense.
Imune às francas conversas de leveza não superficiais, que protegem a alma, enquanto o mundo seguia por caminhos tortuosos.
Imune à manutenção do íntimo deleite, sem trocas, nem negociatas. Íntimo por si em simples amar – talvez uníssono demais para se manter. Ou, talvez, raro demais para fazer sentido ou se compreender o valor.
Imune, também, ao toque em histórias de pele que se constroem em castelos de ar, contadas dentro de espaços encerrados – e pareciam nunca se desmanchar com as tormentas externas. Mas insustentável frente aos ruídos e brechas interiores.
Imune à toda a construção de si que se esfacela quando se pensa perene.
Imune de ver o mundo em caos, e pensar em ti, sem sofrer – em refúgio mútuo de calmaria e sorriso.
Talvez o que não mata, fortaleça, por ser em si um aniquilamento gradual e lento de tudo o que fez sentido. Criando muralhas que isolam mais que protegem, dificultando a comunicação e se tornando aparentemente intransponíveis.
Talvez queiramos intransponível. Talvez queiramos o que está além (a morte ou a força?).
Talvez só nos reste a longeva imunidade, recheada de saudades, na esperança de brechas para ainda ver o nascer do sol, em mais um dia.