Notas Não Aleatórias https://notasnaoaleatorias.com.br Um site de fotos, poesias, memes, gatos e divulgação científica Tue, 13 Jan 2026 22:18:19 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9 https://notasnaoaleatorias.com.br/wp-content/uploads/2024/01/cropped-cigarra-1-32x32.png Notas Não Aleatórias https://notasnaoaleatorias.com.br 32 32 Proletariedades do existir https://notasnaoaleatorias.com.br/proletariedades-do-existir/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=proletariedades-do-existir https://notasnaoaleatorias.com.br/proletariedades-do-existir/#respond Tue, 13 Jan 2026 22:18:18 +0000 https://notasnaoaleatorias.com.br/?p=3368 Sentir saudades do impossível acontecimento Vazio distante das comunicações, com tato, sabor, paladar. O tempo inexistente, corroi. Atribulação proletária, nos leva. Um passo de cada vez, ao torpor diário. Brechas de calendário, frases soltas inacabadas. Dias sem palavras na imensidão das mensagens sem fim. Contemporâneo momento que nos consome, desaparecendo […]

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Sentir saudades do impossível acontecimento

Vazio distante das comunicações, com tato, sabor, paladar. O tempo inexistente, corroi.

Atribulação proletária, nos leva. Um passo de cada vez, ao torpor diário.

Brechas de calendário, frases soltas inacabadas.

Dias sem palavras na imensidão das mensagens sem fim.

Contemporâneo momento que nos consome, desaparecendo os ânimos dos encontro plausível.

Rotina interminável entre o compromisso do horário, a fome do fugaz e o esmagamento das obrigações.

Tempo, que tudo devora e pouco nos dispõe, o respirar aliviado e rara condição das fissuras escorregadias da vida.

Corre, na memória, diálogos interrompidos, sabores inusitados, deleites inventados.

Habita, nas mais permanentes histórias, o desejo de estar no mundo das ideias, onde pele, sorriso e livre sentir, resistem.

Voraz pelo anseio da alegria leve e suavidade do olhar, que aconchega num abraço, buscando estancar o ritmo imposto cotidiano.

Reside, em mim, vontade de existência, hoje.

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Acontecimento não previsto https://notasnaoaleatorias.com.br/acontecimento-nao-previsto/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=acontecimento-nao-previsto Thu, 27 Nov 2025 18:12:18 +0000 https://notasnaoaleatorias.com.br/?p=3363 O tempo passa incólumeOcorrência de alegrias intermitentesArrastando pesares e pensamentosIndecisão, incoerência, quereres Acontecimento não previsto no calendárioEm risadas, cafunés e garrafas de vinhoCarinho e tesão em amanheceres diversosReceios em intervalos entremeados Meses em dispersão das ideiasSem ideais de partida prementeNem planos de permanênciaAbraços e beijos, perenes desejos Em tempo do […]

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O tempo passa incólume
Ocorrência de alegrias intermitentes
Arrastando pesares e pensamentos
Indecisão, incoerência, quereres

Acontecimento não previsto no calendário
Em risadas, cafunés e garrafas de vinho
Carinho e tesão em amanheceres diversos
Receios em intervalos entremeados

Meses em dispersão das ideias
Sem ideais de partida premente
Nem planos de permanência
Abraços e beijos, perenes desejos

Em tempo do inesperado
Paciência e escuta entre amor e dúvidas
Encantamento na admiração mútua
Assertividade obedecida, anseio.

Breve acontecimento, aguarda
Leve ensejo ao voraz
Com a solitude do tempo, ama
Em dias difíceis de compartilhar

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Turbilhão https://notasnaoaleatorias.com.br/turbilhao/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=turbilhao Tue, 04 Nov 2025 14:41:06 +0000 https://notasnaoaleatorias.com.br/?p=3336 Escrevi este texto escutando Foi no mês que vem do Vitor Ramil, sugiro ler escutando também. A cabeça ferve em ideias mais rápidas que o processador tem possibilidades de organizar. A respiração acelera, gera angústia, devaneia em intermitência descontínua. Não há paz no turbilhão, não há algoz mais severo e […]

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Escrevi este texto escutando Foi no mês que vem do Vitor Ramil, sugiro ler escutando também.

A cabeça ferve em ideias mais rápidas que o processador tem possibilidades de organizar.

A respiração acelera, gera angústia, devaneia em intermitência descontínua.

Não há paz no turbilhão, não há algoz mais severo e cruel que o pensamento sobre si.

Enquanto tudo passa numa cadência, nada faz sentido em meio à explosão de ideias.

O que a mente quer é silêncio, que não vem. Não vem, nada adianta.

Respira, respira, respira. Clichês baratos sem caminho, destino ou intenção.

Esvai tempo em retomadas inócuas, durante a torrente sináptica cotidiana.

Acorda antes do despertador, respira. Não é manhã ainda, vira de lado. Respira.

Promessas de mundos ideais, distopias sem cor em dias mutantes, impermanência.

Volta, respira. Pensa e sente. Deixa fluir o tempo e percebe o caos, respira.

Nano espaços de probabilidades instáveis, se fazem forçosos esforços.

Monumento em segundos que passam incessantes. Respira.

Pensamentos em ondas que se vão e voltam, intensas como uma ressaca

Afoga, afoba, desacomoda.

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Tempo: presente https://notasnaoaleatorias.com.br/tempo-presente/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=tempo-presente Mon, 03 Nov 2025 15:14:22 +0000 https://notasnaoaleatorias.com.br/?p=3334 O mundo giraimpõe ritmos ao desejocadência de vida, interrompedesloca o ar, expira Turbilhão em segundos, silêncioantiga conhecida, companheirapassageira aguardando o caosansiedade pede estadia Enquanto o mundo giracadenciando anseiosarritmia da vida, arrodeiarespira, sem atmosfera tempo: presente.

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O mundo gira
impõe ritmos ao desejo
cadência de vida, interrompe
desloca o ar, expira

Turbilhão em segundos, silêncio
antiga conhecida, companheira
passageira aguardando o caos
ansiedade pede estadia

Enquanto o mundo gira
cadenciando anseios
arritmia da vida, arrodeia
respira, sem atmosfera

tempo: presente.

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Parrésia https://notasnaoaleatorias.com.br/parresia/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=parresia Wed, 29 Oct 2025 12:22:07 +0000 https://notasnaoaleatorias.com.br/?p=3330 contradições cotidianas inaparentesentre ficar e partir, reside a esperasilêncio perene indecisoanestesia frente à parrésia Não estanca no insuportável instante presenteultrapassa a fronteira conformadaimpermanente homeostasia, segueperpassa, caminho constante, amor.

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contradições cotidianas inaparentes
entre ficar e partir, reside a espera
silêncio perene indeciso
anestesia frente à parrésia

Não estanca no insuportável instante presente
ultrapassa a fronteira conformada
impermanente homeostasia, segue
perpassa, caminho constante, amor.

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Tempo: vem e perpassa https://notasnaoaleatorias.com.br/tempo-vem-e-perpassa/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=tempo-vem-e-perpassa Wed, 22 Oct 2025 12:23:04 +0000 https://notasnaoaleatorias.com.br/?p=3326 O tempo, presente marcas na pele,instantes de memórias guardadasFluxo constante: perpassa correndo As vezes residem instantes de pazOutras estanca na tormenta permanenteProblemas inventados ocupando rotina Se do futuro distante, o mistério se resguardaE do passado, falta de resoluções extrapolaPresente ansia existência, dissipa segundos Disputas não saudáveis dos dias,Rompem silenciamentos inaparentesCriam […]

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O tempo, presente marcas na pele,
instantes de memórias guardadas
Fluxo constante: perpassa correndo

As vezes residem instantes de paz
Outras estanca na tormenta permanente
Problemas inventados ocupando rotina

Se do futuro distante, o mistério se resguarda
E do passado, falta de resoluções extrapola
Presente ansia existência, dissipa segundos

Disputas não saudáveis dos dias,
Rompem silenciamentos inaparentes
Criam brechas de futuros pretéritos

Tempo inexistente, e se
Sobressai cotidiano, impõe acontecimentos
Tácitos acordos não anunciados

Invisível instante indecísivel, inconforma
Assume tempo presente, não desaparece
Criar ausências constantes não é resposta

Se no futuro distante, o mistério nos aguarda
E do passado, reaparecem as cinzas
O presente atropela, sem graça

Não há mistério no que virá
em inércias programadas lá atrás
virando ocorrência no agora.

Aparece (ou vaza).

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Tempestade, calmaria e projetos de pesquisa https://notasnaoaleatorias.com.br/tempestade-calmaria-e-projetos-de-pesquisa/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=tempestade-calmaria-e-projetos-de-pesquisa Sun, 12 Oct 2025 00:57:00 +0000 https://notasnaoaleatorias.com.br/?p=2836 Ao contrário do dito popular, não é a calmaria que vem depois da tempestade. Talvez tudo seja um grande ciclo em que conseguimos emergir, respirar e nadar para a beira da praia, até que novas tempestades nos atingem e fazem afogar mais um pouco. Até que a suposta calmaria retorne […]

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Ao contrário do dito popular, não é a calmaria que vem depois da tempestade. Talvez tudo seja um grande ciclo em que conseguimos emergir, respirar e nadar para a beira da praia, até que novas tempestades nos atingem e fazem afogar mais um pouco. Até que a suposta calmaria retorne e busquemos espaços seguros, mais uma vez.

E assim sucessivamente, de tentativas de espaços seguros em espaços seguros, vamos construindo sonhos quase tangíveis, nos entrelaçando com possibilidades de suspiros aliviados, abraçando, amando, vivendo pessoas. E quando tudo parece se alinhar, sem brisa suave ou chuviscos que anunciam a mudança do tempo, a tormenta retorna.

E no meio disso, aquela clássica confusão, em que imaginávamos estar livres de rodopios, tonturas velhos-novos problemas que nos afastam de tudo o que vínhamos construindo (de novo e de novo). Por mais calejados que fiquemos, sempre somos pegas de surpresa e acabamos sucumbindo, achando que desta vez, não teremos a força necessária para dar conta. Claro que teremos. Eventualmente teremos suporte e pessoas dispostas a estender a mão para nos ajudar a sair do caos.

E por mais que miremos o horizonte tranquilo e ensaiemos a frase “bom seria se… [insira aqui a tua idealização de paz permanente]”, aparentemente não viemos ao mundo para ter paz. Nosso lugar no mundo (e nosso tempo de habitar) não permite esta sensação por muito tempo.

Há que respirar (falou a asmática, cujos pulmões nunca exerceram esta atividade direito). E seguir.

No meio desse ciclo de caos, mais do que escritos de auto-ajuda (embora nós, para nós mesmos seja necessária uma dose de empatia por si, para dar conta do tranco), me deparei com um ciclo de palestras que me trouxe a tona uma breve calmaria.

Eu sei que o parágrafo anterior pareceu repentino. Mas foi exatamente assim. Enquanto eu chorava por dentro por situações que me atropelaram novamente, escutava supostas críticas a um trabalho absolutamente fundamentado.

Sabe quando os absurdos ouvidos são tão graves e tão tristes que tu és arrancada da tua tristeza, para ver que os problemas do mundo tão se embolando e se agravando? Enfim. Sair de um caos na base da raiva, as vezes ajuda a movimentar.

Em 2025, ainda escutamos racismo e misoginia sendo fundamentados na ciência, enquanto reafirma que a ideologia não pode ter espaço na produção científica. Embora esse discurso não seja recente, vem definitivamente ganhando força e sendo respaldados por pares.

Nesse meio tempo, debates sobre a diversidade vão indo de arrasta, sendo nomeados como ideológicos, enviesados, pós-modernos (risos). Não podemos jamais perder estes acontecimentos de vista. Eu fiquei digerindo esse horror que escutei e tentando situar de que maneira eu posso – simultaneamente – resolver meus problemas pessoais e dar conta da minha pesquisa sobre o tema.

Não achei solução, mas ao menos parei de chorar de desespero (risos). E escrevi um projeto de pesquisa.

Respirei. E segui.

Domingo é um dia insuportável.

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ponto de fuga https://notasnaoaleatorias.com.br/ponto-de-fuga/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=ponto-de-fuga Sat, 11 Oct 2025 02:57:59 +0000 https://notasnaoaleatorias.com.br/?p=3319 Plano: horizontetrilhado a cada passolongínquo caminhosempre um pouco adiante. Ponto de fugaimiscuindo ao longecéu torna-se chão,olhar se esvai, esperançar Perspectiva dispersãodesejo e controle em placasde dados concisos,com precisão nanométrica Tudo passa pelo olharfixo, em planos horizontesfaz do ponto de fuga, perspectivafuturo programado planilhado Horizonte é ponto de fuga: se dispersaplano […]

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Plano: horizonte
trilhado a cada passo
longínquo caminho
sempre um pouco adiante.

Ponto de fuga
imiscuindo ao longe
céu torna-se chão,
olhar se esvai, esperançar

Perspectiva dispersão
desejo e controle em placas
de dados concisos,
com precisão nanométrica

Tudo passa pelo olhar
fixo, em planos horizontes
faz do ponto de fuga, perspectiva
futuro programado planilhado

Horizonte é ponto de fuga: se dispersa
plano se refaz no acaso inesperado
remodela o infinito, colorindo novos passos
ciclo sem fim: chega e faz sorrir

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amores sem tempo https://notasnaoaleatorias.com.br/amores-sem-tempo/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=amores-sem-tempo https://notasnaoaleatorias.com.br/amores-sem-tempo/#comments Sat, 27 Sep 2025 00:57:28 +0000 https://notasnaoaleatorias.com.br/?p=2838 Escrevi este texto ouvindo Le café bleu, sugiro que tu faças o mesmo :-) Amar, como se tivéssemos tempo e disposição para outros habitarem nossa vida.Mirar a imensidão de tarefas e perder-se ensimesmados na poeira do sentir.Idealizações fugazes, que nos fazem sorrir e escapar das árduas e óbvias decisões do […]

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Escrevi este texto ouvindo Le café bleu, sugiro que tu faças o mesmo :-)

Amar, como se tivéssemos tempo e disposição para outros habitarem nossa vida.
Mirar a imensidão de tarefas e perder-se ensimesmados na poeira do sentir.
Idealizações fugazes, que nos fazem sorrir e escapar das árduas e óbvias decisões do cotidiano.
Expectativa do inexistente, abrir a janela, ver longe no horizonte o sol, que se esvai, colorindo o céu.
Enquanto a vida passa, amar torna-se encontrar brechas em escolhas adultas demais para caber afeto.

No andar do adulto, um breu o acompanha a cada passada – intensificando o pesar
Para onde foram as expectativas?
Das doces promessas do amor para sempre, às dores fundas e inseguranças imprecisas de supostas falhas
O amor, virando um tabu temeroso de se reafirmar. Como se obrigatório fosse prometer o eterno.
O que se passa no cotidiano de risadas suaves e abraços que acalmam o barulho?

que seja nossa a vida de quem repele o eterno em nome do voraz desejo.
Enquanto a vida passa, amar torna-se encontrar brechas, e ali, naquele amor, residir o tempo possível.
Sem pressa para o inevitável rompimento que o futuro impõe, agora, sorri – e vive.
Refuta a urgência do que virá, olha a lua, aproveita a brisa do fim da tarde e o arrebol que surge ao fundo.
Firme na expectativa reiterada: só mais um dia, por hoje. Feliz do colo presente, invadida pelo deleite do corpo

Que sejam nossas as manhãs preguiçosas, em despertares lentos e silenciosos, entre um abraço e cafés
Entre o tempo guardado para notícias estranhas e calmos beijos, com gatos roubando a atenção
Nas fissuras de dias planejados e inexistentes, há possibilidades de sorrisos e reclamações com cafunés
Na preocupação com o amanhã, o hoje pode ser compartilhado em breves silêncios ofegantes
Enquanto a vida passa, adulto torna-se (e se esvai), em vidas de afeto que escolhem: amar.

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Sobre palavras e lágrimas https://notasnaoaleatorias.com.br/sobre-palavras-e-lagrimas/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=sobre-palavras-e-lagrimas Fri, 12 Sep 2025 20:36:28 +0000 https://notasnaoaleatorias.com.br/?p=2830 Eu escrevi este texto escutando My name is Trouble, a música é mais animada que - porém tão brega quanto - o texto e talvez por isso eu recomende ler escutando... Dia desses eu comentei que falar de amor é mais tabu do que falar de sexo. [Eu falei “gostar […]

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Eu escrevi este texto escutando My name is Trouble, a música é mais animada que - porém tão brega quanto - o texto e talvez por isso eu recomende ler escutando...

Dia desses eu comentei que falar de amor é mais tabu do que falar de sexo. [Eu falei “gostar de pessoas”, mas no fim foi só um jeito de impor um tabu ao próprio título e depois ter que lidar com isso…]

Acho interessante o quanto precisamos de rodeios às toneladas para conseguir proferir palavras que façam sentido, tenham linearidade e sejam justas com os sentimentos que brotam e se volatilizam pelos poros da pele. A mesma pele que conduz desejo, pode gerar fronteiras e repulsas estranhas, fria e distante forma de gerir diálogos importantes.

De qualquer forma, as palavras saem e vão encontrando seu rumo, alinhando-se nos cuidados necessários para proferir ideias abstratas de sentimentos que não são – e nunca serão – simultaneamente sentidos e compartilhados. Talvez a grande questão de falar do quanto sentimos, amamos, desejamos, é materializar uma abstração que reside em nosso corpo – em forma de desejo e idealizações.

Materializar é menos que assumir, porém é mais do que apenas sinapses que ocorrem e se vão, agitando o corpo, ansiando respostas. Toda dificuldade, me parece, é enfrentar o que é contraditório e contrassenso. É admitir que nossos sentimentos são nossos, mais sobre nós, do que sobre o outro ser. Difícil espelho, uma vez que o amar, ao fim do dia, é uma estranha construção que não é feita de materiais sólidos e robustos.

Pensando bem, construção é uma péssima metáfora. Emaranhados, com linhas e nós, formando redes e teias talvez seja mais apropriado. Gera tensão, tanto quanto espaço seguro. As vezes sufoca um pouco – as vezes aperta e enrola até sozinho – outras vezes nos mantém firmes em uma base móvel, ainda que em relativa estabilidade. Todavia, tem como desenrolar, formar novos nós, costurar com outras e novas linhas, com cores, formas e alinhavos.

Sei lá. Divagações de uma cabeça cansada – entre um choramingo e outro sobre palavras, linhas e amores – o que parece certo é que, à revelia dos tabus, sinceridade sem jogos ainda é um belo caminho sem volta. Não necessariamente seguro, claro. Contudo, mais tranquilo quanto às compreensões a partir da confusão das palavras. Já a estabilidade foi, é e será superestimada, uma dessas grandes mentiras que nos contaram em algum momento da vida, para acreditarmos que relações boas são perenes.

Não. Não são. Também não são fugazes, nem só tormenta. Relações são o que são: abstrações materializadas em desejos e palavras, pele e contato, gosto, gozo, carinho e confusão. E as vezes longas conversas com risadas e choramingos no meio.

No fim do dia, com sorte, tem um arrebol.

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