Tristeza não tem fim - Notas Não Aleatórias https://notasnaoaleatorias.com.br Um site de fotos, poesias, memes, gatos e divulgação científica Sun, 12 Oct 2025 15:08:06 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9 https://notasnaoaleatorias.com.br/wp-content/uploads/2024/01/cropped-cigarra-1-32x32.png Tristeza não tem fim - Notas Não Aleatórias https://notasnaoaleatorias.com.br 32 32 Tempestade, calmaria e projetos de pesquisa https://notasnaoaleatorias.com.br/tempestade-calmaria-e-projetos-de-pesquisa/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=tempestade-calmaria-e-projetos-de-pesquisa Sun, 12 Oct 2025 00:57:00 +0000 https://notasnaoaleatorias.com.br/?p=2836 Ao contrário do dito popular, não é a calmaria que vem depois da tempestade. Talvez tudo seja um grande ciclo em que conseguimos emergir, respirar e nadar para a beira da praia, até que novas tempestades nos atingem e fazem afogar mais um pouco. Até que a suposta calmaria retorne Leia mais

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Ao contrário do dito popular, não é a calmaria que vem depois da tempestade. Talvez tudo seja um grande ciclo em que conseguimos emergir, respirar e nadar para a beira da praia, até que novas tempestades nos atingem e fazem afogar mais um pouco. Até que a suposta calmaria retorne e busquemos espaços seguros, mais uma vez.

E assim sucessivamente, de tentativas de espaços seguros em espaços seguros, vamos construindo sonhos quase tangíveis, nos entrelaçando com possibilidades de suspiros aliviados, abraçando, amando, vivendo pessoas. E quando tudo parece se alinhar, sem brisa suave ou chuviscos que anunciam a mudança do tempo, a tormenta retorna.

E no meio disso, aquela clássica confusão, em que imaginávamos estar livres de rodopios, tonturas velhos-novos problemas que nos afastam de tudo o que vínhamos construindo (de novo e de novo). Por mais calejados que fiquemos, sempre somos pegas de surpresa e acabamos sucumbindo, achando que desta vez, não teremos a força necessária para dar conta. Claro que teremos. Eventualmente teremos suporte e pessoas dispostas a estender a mão para nos ajudar a sair do caos.

E por mais que miremos o horizonte tranquilo e ensaiemos a frase “bom seria se… [insira aqui a tua idealização de paz permanente]”, aparentemente não viemos ao mundo para ter paz. Nosso lugar no mundo (e nosso tempo de habitar) não permite esta sensação por muito tempo.

Há que respirar (falou a asmática, cujos pulmões nunca exerceram esta atividade direito). E seguir.

No meio desse ciclo de caos, mais do que escritos de auto-ajuda (embora nós, para nós mesmos seja necessária uma dose de empatia por si, para dar conta do tranco), me deparei com um ciclo de palestras que me trouxe a tona uma breve calmaria.

Eu sei que o parágrafo anterior pareceu repentino. Mas foi exatamente assim. Enquanto eu chorava por dentro por situações que me atropelaram novamente, escutava supostas críticas a um trabalho absolutamente fundamentado.

Sabe quando os absurdos ouvidos são tão graves e tão tristes que tu és arrancada da tua tristeza, para ver que os problemas do mundo tão se embolando e se agravando? Enfim. Sair de um caos na base da raiva, as vezes ajuda a movimentar.

Em 2025, ainda escutamos racismo e misoginia sendo fundamentados na ciência, enquanto reafirma que a ideologia não pode ter espaço na produção científica. Embora esse discurso não seja recente, vem definitivamente ganhando força e sendo respaldados por pares.

Nesse meio tempo, debates sobre a diversidade vão indo de arrasta, sendo nomeados como ideológicos, enviesados, pós-modernos (risos). Não podemos jamais perder estes acontecimentos de vista. Eu fiquei digerindo esse horror que escutei e tentando situar de que maneira eu posso – simultaneamente – resolver meus problemas pessoais e dar conta da minha pesquisa sobre o tema.

Não achei solução, mas ao menos parei de chorar de desespero (risos). E escrevi um projeto de pesquisa.

Respirei. E segui.

Domingo é um dia insuportável.

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nem um dia https://notasnaoaleatorias.com.br/nem-um-dia/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=nem-um-dia Thu, 06 Jul 2017 00:21:00 +0000 https://notasnaoaleatorias.com.br/?p=3002 Não há um dia que eu não olhe para trás Não há Nem um sonho que tenha deixado a residência Inexista como concretude Dolorida de uma vida Sapiente de dor Que planejada Desistiu de si Não há Nenhum dia que não tenha ficado na memória Pela possibilidade do nunca feito. Leia mais

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Não há um dia que eu não olhe para trás

Não há

Nem um sonho que tenha deixado a residência

Inexista como concretude

Dolorida de uma vida

Sapiente de dor

Que planejada

Desistiu de si

Não há

Nenhum dia que não tenha ficado na memória

Pela possibilidade do nunca feito.

Sabe?

Filho com cólica

Domingos de olheiras

Sábados virados de choros

Tudo planejado na planilha

Inexistência organizada

Preterida

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#niunamenos https://notasnaoaleatorias.com.br/niunamenos/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=niunamenos Wed, 19 Oct 2016 20:13:11 +0000 http://pensandopalavrasaovento.com/?p=2511 não desce a dor, torpe sentir de ser, só, mulher e por ser, só: mulher a que nasce e vive para servir, culpar: morrer   sou, sim, culpada: de minha luta de me assumir, como todas: puta do orgulho que corre em meu corpo do desejo, da vontade, do deleite Leia mais

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não desce
a dor, torpe sentir
de ser, só, mulher
e por ser, só: mulher
a que nasce e vive
para servir, culpar: morrer
 
sou, sim, culpada: de minha luta
de me assumir, como todas: puta
do orgulho que corre em meu corpo
do desejo, da vontade, do deleite
do trabalho, da competência, da liberdade
culpa de ser minha – de me negar a ser de outro
culpa, sim, por urrar por tudo isso e dizer: não.
 
nenhuma a menos, não aceitamos, não toleramos
teu ódio, teu medo, tua violência.
Nenhuma de nós.
Putas ou santas, pudicas ou sacanas
todas nós, juntas: um coro
nosso corpo, nossa vida
NENHUMA A MENOS!

niunamenos

FOTO DE:
http://brasil.elpais.com/brasil/2016/10/18/internacional/1476805782_321966.html

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cinza https://notasnaoaleatorias.com.br/cinza/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=cinza Sat, 17 Sep 2016 16:37:00 +0000 https://notasnaoaleatorias.com.br/?p=2774 O dia cinza dia sem rima nem poesia sem som, nem bom tom,cinza dia, que irrompeem faltas do gozo, do deleite, do livre mundoque cinza dia, amanheceu mudo.

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O dia

cinza dia

sem rima

nem poesia

sem som, nem bom tom,
cinza dia, que irrompe
em faltas do gozo, do deleite, do livre mundo
que cinza dia,

amanheceu

mudo.

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Sobre Cultura do Estupro: precisamos falar https://notasnaoaleatorias.com.br/sobre-cultura-do-estupro-precisamos-falar/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=sobre-cultura-do-estupro-precisamos-falar Sat, 28 May 2016 18:34:57 +0000 http://pensandopalavrasaovento.com/?p=2324 Cultura: não como o ápice do melhor já feito e produzido pelo ser humano. Ao falar em “cultura do estupro“, a palavra cultura refere-se aí àquelas práticas cotidianas que não apenas formalizam a violência do estupro em si, mas que possibilitam que esta seja executada cotidianamente e a reforçam como Leia mais

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Cultura: não como o ápice do melhor já feito e produzido pelo ser humano.
Ao falar em “cultura do estupro“, a palavra cultura refere-se aí àquelas práticas cotidianas que não apenas formalizam a violência do estupro em si, mas que possibilitam que esta seja executada cotidianamente e a reforçam como natural de um ser sobre outro.
A cultura do estupro, meus caros, é legitimada por cada assédio e abuso moral, físico, psicológico, sexual entre um ser humano [comumente homens] e outro [comumente mulheres]. E a cada aceitação disso – por mulheres e homens. Ou mais que aceitação: banalização, silenciamento, produção de piadas e compreensão de que este “costume” nos modos de falar e agir do homem como agressor se dá por sua “natureza”, e da mulher como vítima se dá por uma “procura” pela agressão (ou afeição à mesma).
Cultura do estupro é o que faz, cotidianamente, mulheres terem receio de passar por homens na rua – sejam eles quais forem. Não é só o medo de ser violada cotidianamente – é o medo de ouvir, de novo e repetidamente, as mais insanas verborragias sobre nosso corpo e como ele poderia ser usado [repito: cotidianamente] por puro deleite do homem – sem que nosso corpo seja considerado nosso, nossas vontades nossas, nossas ideias de como usarmos NOSSO corpo e nosso prazer.
Cultura do estupro é dizer que vivemos cotidianamente SIM sob égide de um padrão cultural que mesmo frente à evidência tácita de violência, questiona-se o ato e se banaliza o corpo e a alma usurpada. Cultura do estupro é ouvir de alguém, como piada, que é gênio deixar uma mulher bêbada para transar com ela. Cultura do estupro é achar que uma menina com filho é puta e isso justifica dopá-la e transformá-la num túnel. Cultura do estupro é achar que por uma mulher gostar de sexo grupal, 30 homens podem usar o corpo dessa mulher sem seu consentimento. Cultura do estupro é a piada e o escárnio cotidiano. Cultura do estupro é o homem se sentir vítima por nós, mulheres, termos medo de sermos vítimas.

Cultura do estupro é o que vivemos SIM! Não minorize a luta desprezando o que se diz de CULTURA – como aquilo que é “o melhor produzido pelo ser humano”. Cultura é prática, cultura é cotidiano, cultura é o que produz e como produz um país.
Produzimos SIM homens e mulheres que não se solidarizam com a dor de uma violação corporal, produzimos SIM o medo de mulheres frente a homens, produzimos SIM a banalização do corpo da mulher, produzimos SIM a legitimidade do homem usar e abusar, violentando nosso corpo, nossos ouvidos, nossa rotina diária. Não minorize isso.

E homens, por favor, ao invés de assombrar-se com o fato de que você ~não é todo homem que~, assombre-se com o fato de que nós, mulheres ~todas nós~ já sofremos com isso. Assombre-se por fazer parte de um grupo que causa medo e lute contra isso entre teus amigos, familiares, filhos, pai, tios, primos. Pare de se vitimizar e compreenda o que é uma CULTURA que permite que você seja visto assim: todos os dias.

Não são monstros que estupram: são homens, SIM.
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Contramão https://notasnaoaleatorias.com.br/contramao/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=contramao Thu, 02 Jul 2015 16:07:28 +0000 http://pensandopalavrasaovento.com/?p=1252 desatino destino insano deixado de lado no inverso do nexo atropela o óbvio a verdade que mata trucida ignora o pobre inexistente na bolha estúpida da vida furtacor vomita cristalina gana aversão ao avesso narcísico vazio de sentido de razão voraz razão por pura ojeriza ao feio e pobre dispensável Leia mais

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desatino
destino
insano
deixado
de lado
no inverso
do nexo
atropela
o óbvio
a verdade
que mata
trucida
ignora
o pobre
inexistente
na bolha
estúpida
da vida
furtacor

vomita
cristalina
gana
aversão
ao avesso
narcísico
vazio
de sentido
de razão
voraz razão
por pura
ojeriza
ao feio
e pobre
dispensável
em tua bolha
vida
furtacor

instala
o golpe
aplaudindo
aos brados
achando
bonito
apanhar
enquanto
no fundo
(bem no fundo)
pensas (pensas?)
que bates.

Golpe. Duro golpe.
Surrupiado aos urros
enquanto gritas gol
colore livros
ri da piada
e te acha oposição
seja esmagado quieto…
pois achas que o inimigo
tem 16 e anda de pé sujo
tem cor, cheiro, e nenhum status,
gene podre, pouco mérito
não batalhou
luta e vocifera contra o menor
e deixa instalar o golpe
permite te colocar a coleira
te prender ao pé da mesa
te amansar feito o que és.
SUBMISSO
às verdades inventadas
às insanidades geridas
às demandas ignoradas
deixa-te aprisionar
aplaude teu algoz
pensando ser salvador.
abandona tua voz
teu pensar
teu caminho
larga o país
no rumo do abismo

Eu sigo na contramão
[e espero não estar sozinha]

#Contramão #Golpe

#Contramão
#Golpe

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Massa crítica https://notasnaoaleatorias.com.br/massa-critica/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=massa-critica Wed, 10 Jun 2015 13:38:56 +0000 http://pensandopalavrasaovento.com/?p=1201 A massa, disforme, deforma no vagão sovada pelas curvas dobra seu tamanho no mesmo espaço e espera… o ponto, a hora exata e trabalha trabalha trabalha e espera a exata hora do ponto e volta, como massa deformada no vagão exprimida nas ideias diminuída no tamanho comprimida no espaço e, calada, Leia mais

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A massa, disforme,
deforma no vagão
sovada pelas curvas
dobra seu tamanho
no mesmo espaço
e espera…
o ponto,
a hora exata
e trabalha
trabalha
trabalha
e espera
a exata hora
do ponto
e volta, como massa
deformada no vagão
exprimida nas ideias
diminuída no tamanho
comprimida no espaço
e, calada, espera
o próximo gol.
Grita.
Bebe um gole
da pilsen
aguada e gelada,
que refresca
a noção
de ser massa.
Gol. Grita. Bebe.
Engole a vontade
de ser mais
que massa
mediana

Crítica é a massa
que aguarda a vida
trem no horário,
passo atrasado
ficar cansado
andar parado
viver no passado
esperar o futuro
sem gozar
o presente
o momento
o sublime
instante
do efêmero.

A massa critica
a crítica da massa
e no outro dia
comprime
de novo
a massa
disforme
deformada
no vagar.

#SomosMassa

#SomosMassa

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Solidão https://notasnaoaleatorias.com.br/solidao/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=solidao Wed, 03 Jun 2015 15:08:52 +0000 http://pensandopalavrasaovento.com/?p=1188 Solidão é o nome do cão que dorme sossegadamente, as vezes suspira e, ruidosamente, reafirma sua existência, as vezes acorda faminto e devora noites insones

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Solidão é o nome do cão
que dorme sossegadamente,
as vezes suspira e, ruidosamente,
reafirma sua existência,
as vezes acorda faminto
e devora noites insones

#Solidão

#Solidão

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Em tempo: Ser humano? https://notasnaoaleatorias.com.br/em-tempo-ser-humano/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=em-tempo-ser-humano Thu, 07 May 2015 22:38:16 +0000 http://pensandopalavrasaovento.com/?p=1126 O que choca não é a mordida de um cão estressado, em meio aos helicópteros, tiros, bombas, gritos, em meio a uma cena de guerra. O que desestabiliza e nos põe às lágrimas não são depoimentos isolados narrando um tempo de dedicação a um ideal, a um país, a um estado, Leia mais

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O que choca não é a mordida de um cão estressado, em meio aos helicópteros, tiros, bombas, gritos, em meio a uma cena de guerra.

O que desestabiliza e nos põe às lágrimas não são depoimentos isolados narrando um tempo de dedicação a um ideal, a um país, a um estado, aos filhos daqueles que batem (e dos que mandam bater).

O que indigna não é o descaso por um futuro e presentes trucidados, por cortes orçamentários de uma vida de trabalho.

O ultrajante não é a falta de vergonha de quem senta em confortáveis cadeiras, votando contra quem os colocou lá naqueles espaços.

O que estarrece não é pagar para ser roubado, para apanhar, para não comer, para adoecer e não ser educado.

O que sangra a alma não é ver navios afundando com gente dentro, por falta de vontade de deixar viver em solo pátrio (ou por medo de multas e prisões se salvarem a “gente” que está dentro).

O que dilacera não é ignorar a agressão a pobres, negros, índios, mulheres, crianças, gays (só por serem pobres, negros, índios, mulheres, crianças, gays) e celebrar mundialmente a escolha do nome real.

A violência está em ver que há conivência pela crença de que isto é um regime democrático, com a liberdade de falas (de todos). A violência é a crença de que existe binarismos simples, existe imparcialidade de comunicação e não somos todos, ao fim e ao cabo, submissos a uma vida que se passa no sofá assistindo à televisão domingo à noite, esperando a segunda-feira começar para o mais do mesmo.

O que choca, desestabiliza, indigna, ultraja, estarrece, violenta, dilacera a carne, a moral, a vida é saber que isso nada mais é do que ser humano.

O que me move é que não sinto isso sozinha e ao nadar contra essa correnteza de ódio e descaso, vejo outros comigo.

#SerHumano #Oque

#SerHumano
#Oque

(todas as imagens foram retiradas da internet)

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Dos fatos isolados https://notasnaoaleatorias.com.br/dos-fatos-isolados/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=dos-fatos-isolados Thu, 16 Oct 2014 00:56:08 +0000 http://pensandopalavrasaovento.com/?p=798 Rasga a pele Dilacera a alma Interrompe a vida Destroça o corpo Diminui a culpa Minimiza o ato Autoriza o tapa O pau, a porra Deixa o menino seguir Legitima a vontade de gozar E segue, acusa a menina: De vestir, de andar, de beber, de existir Aponta na rua Leia mais

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Rasga a pele
Dilacera a alma
Interrompe a vida
Destroça o corpo

Diminui a culpa
Minimiza o ato
Autoriza o tapa
O pau, a porra

Deixa o menino seguir
Legitima a vontade de gozar
E segue, acusa a menina:
De vestir, de andar, de beber, de existir

Aponta na rua e grita
Joga pedra, cospe, ejacula
Atira na lama, ignora o sofrer
Sofrer? Foi só um ato

Deixa a sociedade seguir
Na barbárie dos corpos
Que não podem viver
Sem pedir, ajoelhar, implorar

Até quando, mulher?
Até quando menina?

Enquanto banqueteiam-se
Isoladamente, futilmente
Desgastando a carne
Tratando como lixo

Até quando, homem?
Até onde humano?

Ri sociedade
Da piada sem graça
Do asco do corpo
Que segue na luta

Ri, com asco
Até quando?

Reage mulher
Usa tua voz
Tua gana
Tua força

Urra a plenos pulmões: NÃO MAIS
Meu corpo, minha luta, meu prazer,
Nessa pele a tua força
Só entrará com convite

Grita. mulher: quero e posso
Rir alto, beber muito
Trabalhar árduo, ganhar igual
Correr na rua: não é por ti

Grita, mulher: eu exijo o ato
Foder forte! Gozar? Todos os dias
Com minhas mãos ou tua língua
Mas só quando eu quiser

Grita o óbvio: meu corpo
Meu deleite, minha festa, 
Nessa casa mando eu
E só entra quando eu quiser

Chega de juiz
Chega de governo
Chega de gerência
No nosso corpo, mulher

Chega de culpa
Chega de abuso
Chega de desmando
No nosso corpo, mulher

Fato isolado?
Como o corpo dilacerado?
A vida interrompida?
A alma destroçada?

Até quando mulher?
Até quando menina?
Até quando homem?
Até onde humano?

Eu digo:
Não passarás

Nosso corpo, nosso prazer,
Nossa festa, nossas regras

Meu corpo Minhas regras Meu prazer

Meu corpo
Minhas regras
Meu prazer

Mas qual o motivo de tanta revolta, garota? Não sabes? De novo, ultraje, violência e permissividade.
“Mesmo tendo sido preso em flagrante, juiz levou em conta que jovem de 25 anos é réu primário e disse que estupro é “fato isolado”” – Não, não posso, não consigo, não quero calar-me. Não mais…
http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2014/10/justica-manda-soltar-suspeito-de-estuprar-adolescente-na-capital-4620804.html?utm_source=Redes+Sociais&utm_medium=Hootsuite&utm_campaign=Hootsuite

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